Da Redação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Apretude (cabotegravir), nas formas farmacêuticas comprimido e suspensão injetável, com indicação de prevenção do contágio pelo vírus HIV, para uso em indivíduos com pelo menos 35 quilos.
De acordo com a agência, o cabotegravir é um antirretroviral
da classe dos inibidores da enzima integrase, que impede a inserção do DNA
viral do HIV no DNA humano – um mecanismo de ação que evita a replicação ou a
reprodução do vírus e sua capacidade de infectar novas células.
“O medicamento injetável representa uma nova opção, pois pode
prevenir o HIV sem a necessidade de se tomar um comprimido todos os dias”,
destacou a Anvisa.
Entenda
A chamada profilaxia pré-exposição (PrEP) no Brasil é
indicada para pessoas sexualmente ativas, não infectadas, mas com risco
aumentado de exposição ao HIV, e consistia, até então, na tomada de comprimidos
diários para permitir ao organismo estar preparado para enfrentar um possível
contato com o vírus.
De acordo com a Anvisa, o cabotegravir injetável,
administrado a cada dois meses, chega como possibilidade sobretudo para pessoas
com dificuldade de aderir ao uso da PrEP oral e diária.
Já o Apretude comprimido oral é indicado para avaliar a
tolerabilidade ao cabotegravir, ou seja, a capacidade do indivíduo de suportar
os efeitos do medicamento antes da administração do formato injetável, ou como
opção de PrEP para aqueles que perderam a dose programada do medicamento
injetável.
Vacina?
Apesar de configurar mais uma estratégia no combate à
transmissão do vírus por meio da PrEP, a Anvisa ressaltou que o cabotegravir
não pode ser considerado uma vacina contra o HIV, pois não ativa o sistema
imunológico na produção de anticorpos para combater o HIV nem impede a
transmissão da doença.
“Uma vacina protege por muito tempo ou mesmo pela vida inteira.
Já a PrEP funciona de forma diferente, ou seja, a proteção é fornecida pelo
bloqueio dos caminhos que o vírus percorre para infectar a célula humana.
Assim, se a pessoa abandonar o tratamento, o medicamento deixa de funcionar e
de proteger contra o HIV.”