
Da Redação
Você já percebeu que está cada vez mais raro encontrar cachorros da raça poodle no Brasil? Popular nos anos 1990, esses carinhosos cãozinhos estão entrando em "extinção" nas cidades brasileiras, se assim podemos dizer.
De acordo com a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), que estabelece padrões para criação e emite pedigrees (certificado de origem de cães de raça) no Brasil, o auge dos poodles foi em 1997, quando 3.193 foram registrados por pessoas que procuraram a organização.
Em 2022, a despeito do aumento do mercado pet nos últimos anos, o número de poodles registrados foi de apenas 501, uma queda de quase 85%. Mas o que aconteceu para esses cães saírem de moda no Brasil?
Em entrevista à BBC News Brasil, especialistas da raça destacaram que a própria popularidade do poodle foi parte da sua "desgraça". Com a alta procura por cães da raça, também disparou a quantidade de pessoas que criavam, reproduziam e vendiam os animais no Brasil.
"Todas as raças que têm um pico de popularidade passam a ser vendidas por mais criadores. O que acontece muitas vezes é que são pessoas que só visam o lucro, sem critérios ou estudos sobre raça", avalia Maria Gloria Romero, dona de um canil especializado em poodles registrado em São Paulo.
No caso dos poodles, o desejo das famílias foi por animais cada vez menores. A situação chegou a um ponto em que, no Brasil, começaram a ser comercializados animais com o nome "micro" ou "zero" - mesmo que, nos critérios oficiais, o menor tamanho fosse o "toy", com altura entre 24 e 28 cm.
"Foram cruzando os menores com os menores, pai com filha, para atender o desejo de clientes que queriam 'cão de bolso', um bibelô", diz Giovana Bião, criadora de poodles e dona de um canil de poodles em Salvador
"O resultado dessa busca muitas vezes são animais com deficiências, problemas. Os muito pequenos só deviam ser de companhia, não para ficar reproduzindo", completa.
Entre os problemas que mais se tornaram comuns entre os poodles no Brasil, estão a fragilidade óssea, convulsões, deficiências na arcada dental e as chamadas "lágrimas ácidas", que deixam a região perto do olho escura.
Além da fama de problemáticos acabar "minando" o interesse pela raça, outro ponto que contribuiu para o sumiço dos poodles é que famílias compravam filhotes para crianças esperando que os animais não crescessem — mas, muitas vezes, cresciam.
Com esse e outros fatores, algumas raças tomaram o lugar de poodles no gosto popular dos brasileiros. São eles, yorkshires, pugs, shih-tzus e, mais recentemente, o spitz alemão — ou Lulu da Pomerânia.
No entanto, segundo os especialistas, o que aconteceu com o poodle também pode acontecer acontecer naturalmente com outras raças na moda hoje no Brasil.
Com informações BBC News Brasil
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