Da Redação
A artista plástica Kawara Welch foi presa no início de maio
de 2024 acusada de cometer stalking contra um médico, em Ituiutaba, no
Triângulo Mineiro. De acordo com a vítima, os dois se conheceram em uma
consulta, em 2018, quando a moça o procurou para tratar um quadro de depressão.
Após dois retornos, ela começou a dar sinais de obsessão.
“Ela teve acesso ao meu celular e começou a passar mensagens
e fotos perturbadoras, amarrando lençol, corda no pescoço, se despedia de mim.
Eu entrei em pânico [com medo de ela cometer algo contra a própria vida]",
contou o médico, que preferiu não se identificar, em entrevista ao Fantástico,
da TV Globo, na edição de domingo, 19.
"Ela chegou a me passar 1.300 mensagens em um dia. E
mais de 500 ligações num único dia. Eu troquei de número de celular umas três
ou quatro vezes, mas parei de trocar porque vi que era totalmente inútil. Ela
tinha uma facilidade incrível em achar meu número novo", explicou.
Além das ligações para o médico, Kawara começou a ligar para
a esposa e para o filho dele. Na mesma época, ela compartilhava nas redes
sociais montagens de fotos para dar o entendimento que os dois tinham algum
tipo de caso amoroso. Além disso, ela começou a marcar presença em
congressos de medicina.
Por volta de 2022, a artista plástica começou a seguí-lo nas
ruas e no trabalho. Segundo a vítima, uma vez ela chegou a invadir o
consultório durante o atendimento de uma paciente. Kawara ainda trocou
agressões com a esposa do médico, xingamentos e até acusações de roubo:
"Eu tinha momentos de horrores, que eu entrava em pânico, porque ou ela
aparecia ou ela fazia alguma coisa inesperada."
Ao longo dos anos, o médico chegou a registrar 42 boletins de
ocorrência contra Kawara Welch. Em determinado momento, a polícia
prendeu ela em flagrante por stalking, prática de intimar e perseguir pessoas
virtual ou fisicamente. Ela ficou uma semana no complexo penitenciário, pagou
fiança de R$ 3,5 mil e passou a responder o processo em liberdade. Em março de
2023,
Justiça determinou a prisão preventiva dela por descumprir
medidas cautelares. Na época, ela não se entregou e foi considerada foragida.
Ela foi localizada e detida na última semana, em uma faculdade em Uberlândia,
onde cursava nutrição.
A defesa da suspeita afirmou à Globo que os dois, de fato,
tiveram um caso. A pena para stalking pode variar de seis meses a dois anos de
prisão. Desde 2023, o médico e a esposa estão em terapia para lidar com crises
de pânico que surgiram devido ao episódio.