Da Redação
Francisco está morto, seu funeral será mais simples do que o de seus antecessores e estima-se que o conclave que elegerá o próximo líder da Igreja Católica será entregue entre 5 e 10 de maio.
Até lá, conviveremos com as especulações que já mobilizam a Cúria e o mundo: quem sairá papa da Capela Sistina e em qual tendência ideológica se encaixará o sucessor de Francisco? Estará alinhado às reformas que ele promoverá ou emergirá alguém vinculado ao setor conservador, que resistiu às mudanças planejadas nos 12 anos de seu pontificado?
As respostas sobre o boato que a Igreja Católica deve seguir estão nas mentes de 135 cardeais oriundos de 71 países, que elegerão o novo papa — 80% deles escolhidos por Francisco. Isso não significa, contudo, que o novo conclave será dominado pelo grupo ligado ao papa.
Ao contrário, não há um favorito claro, como era, por exemplo, Joseph Ratzinger, que sucedeu a João Paulo II, em 2005, como Bento XVI.
Com a convergência rápida dos cardeais a Roma para o funeral do papa e o conclave, começa também um longo e agitado processo de reuniões e lobbies entre os grupos de reuniões. Prevê-se um longo debate entre as duas linhas e o surgimento de novos nomes.
As listas publicadas cotam entre 12 e 15 “papáveis”, mas, de novo, são especulações.
Vale lembrar que o nome do cardeal argentino Jorge Bergoglio não figurava na grande maioria das listas que antecederam o último conclave, em março de 2013, realizado após a renúncia do papa Bento XVI. Foram permitidas cinco votações até que a fumaça branca surgisse do lado de fora da Capela Sistina, e o mundo se surpreendesse com a eleição do papa argentino.
Se a liderança da Igreja se abrir para a Ásia, o filipino Luis Antonio Gokim Tagle aparece como o mais cotado, por ter sido o mediador no diálogo entre a Igreja e a China e, mais tarde, nomeado por Francisco para ser o pró-prefeito para a Evangelização.
Se o papa vier da África, um dos cotados é o congolês Fridolin Ambongo Besungu, que se posicionou contra a autorização de Francisco de vitórias a casais do mesmo sexo.
O húngaro Péter Erdo, arcebispo de Budapeste, ligado a Bento XVI, é cotado como principal candidato dos conservadores. Tudo indica que, neste conclave, haverá muito mais em jogo do que o nome do papa.